segunda-feira, 22 de agosto de 2011

A Greve na UERN


Certa vez alguém expressou a seguinte frase: Sou a favor dos motivos da greve, mas não dos métodos. Do mesmo pensamento compartilho, pode parecer uma contradição na análise dos cientistas sociais e até dos que encabeçam tais movimentos, mas do meu lado de cá posso ver e sentir todos os efeitos de uma greve, especificamente de uma greve que já perdura exatamente 66 dias neste dia 05 de Agosto do presente ano.
Os pedidos de desculpas nada podem fazer contra a impotência que me fez redigir estas palavras. Os dias letivos que nos foram retirados não voltam mais, nem o tempo em que coloquei todos meus esforços para a conclusão de um período para então ficar mais perto da sonhada formatura. Querem nos fazer acreditar que as aulas ao serem repostas atenderão as nossas necessidades, a qualidade destas aulas nunca nos satisfizeram, então não desprezem nosso entendimento e principalmente nossa vivência nestas cadeiras uernianas.
Devo ser justo com os poucos mestres que realmente são merecedores de serem mencionados, estes mesmos mestres ao tentarem continuar suas missões em sala de aula formam impedidos de entrarem nesta instituição de ensino por carros, faixas e outros professores que estavam decretando greve. O mais interessante é que vivemos em um país que se afirma constitucionalmente democrático, se pretendem protestar respeitem então a vontade de outros tantos de ficarem do outro lado e exercer suas funções a quem assim procurar.
Na câmara municipal assisti a diversos discursos inflamados em defesa de autonomia financeira para a UERN, segurança para os campi, melhor infraestrutura para os cursos entre outras pautas, mas é desanimador ter consciência de que nenhum destes assuntos serão colocados como primeiro assunto nas mesas de reuniões com o governo, o primeiro e único assunto que fará os professores voltarem as salas de aula será: aumento de salários.
O que poderíamos sentir? Orgulho? Orgulho de termos estudado o bastante para que fossemos aprovados em uma universidade pública? Alegria por termos sido contemplados com uma paralisação de 66 dias que estão enterrando nossos planos de juventude? Agradecemos. Agradecemos aos governantes e professores por estarem nos ensinando o que não fazer quando estivermos no poder, estão nos ensinado a não pensar no próximo, que nesse caso são vários próximos jovens acadêmicos.
Obrigada por estarem nos forçando a tornar real a palavra mais desonrosa para meus vinte e poucos anos: desistir. Desistir de continuarmos esperando que vossos interesses financeiros sejam atendidos. E  se alivia a consciência dos governantes e professores tornar público que os alunos estão em greve, lamento informar, mas não estamos em greve e sim aguardando o inicio das aulas, estamos pagando por imóveis que não estão sendo usados, estamos nos equilibrando em estágios que tinham o final do período como firmação de um emprego, estamos correndo atrás de professores para um simples assinatura para estágios, estamos sem biblioteca e sem a certeza de quando estaremos mais próximos da beca e do canudo.
Pensei em transcrever esta mesma indignação em forma de hip hop, mas domínio não tenho e processada não quero ser!
Criz Cavalcante e Bragança