Deixei o som
ligado para ouvir o resultado dos aprovados no vestibular 2012 da UERN, logo algumas
coisas me vieram à cabeça, a primeira delas é o samba do malandro Martinho da
Vila, em seguida pude ver-me ainda criança fazendo a mesma coisa e falando a
minha “vozinha”: Um dia eu vou ouvir meu nome... Nem imaginava o que tal situação significava. Os anos se passaram e cá estou eu, com o mesmo frio na
barriga, como se esperasse que mais uma vez meu nome ressoasse entre um dos
tantos aprovados. Aqui estou cheia de inseguranças, persistente e amando cada
vez mais o curso que entre tantos marquei sem extasia.
Não desliguei
tampouco baixei o volume do som, permaneci extática, o sambava continuava e sua
letra parecia remeter a minha (a nossa) própria caminhada, pois até o diretor
careca é o magnífico por lá, mas, com apenas um diferencial: Não passei na
faculdade particular.
Nobre poeta da
vila não passei em umas das 2.016 instituições de ensino superior espalhadas no
território tupiniquim. Para a alegria das minhas estradas estudo em faculdade
pública. A incerteza da aprovação, dedilhar meu nome entre tantos, conferir
gabaritos e gritar o tão famoso PASSEI!!!! A particular nunca haveria de me
proporcionar. O orgulho de meus pais e suas vozes embargadas de tanta alegria e
orgulho valeriam todo o mundo dos meus sonhos. O preenchimento agendado de
formulários toda semana, não espelharia meus olhos marejados quando a tudo isto
relembro, e quando penso em todos os mares tempestuosos, que ainda estão a me
aguardar.
Malandros
haveremos de ser para emendar a noite com o dia para o famoso IRA não ver
baixar, sacudiremos todos os bolsos para as moedas acumular, pois maior fortuna
em uma fotocopiadora não há de igualar, os livros tão caros por enquanto nem
mesmo parcelado podemos almejar, festa de formatura? Só a placa já esta de bom
tamanho. Festa mesmo será emoldurar o diploma onde todos possam vislumbrar, e
poder ter a certeza em cada amanhecer que os ônibus lotados, as inúmeras,
intermináveis greves, artigos, choro valeram a pena.
Aprendemos
logo na UERN o significado de competitividade. O termo é prático, é estar
sempre atento para qualquer carro que parar! Não há como fugir, afinal, quando
escolhemos nosso curso deve ter sido igual... Primeiro saímos correndo,
empurramos os que queriam a nossa frente passar, abrimos a porta do carro,
sentamos então só ai perguntamos: você ta indo pra onde? Só que neste caso o
motorista espera que nós indiquemos a direção ou então nem mesmo do portal ira
passar.
Criz Cavalcante
