domingo, 11 de setembro de 2011

Mãos ao Alto!

Não sei se algum outro cidadão se sente incomodado para não dizer insultado, toda vez que assisti a uma campanha nacional de desarmamento vinculada nos canais de TV de nosso país. O motivo da minha, da sua, de nossa inflamada indignação é simples, nós já nos desarmamos, mas esqueceram de desarmar os trabalhadores do crime.
No auge de nossa imaturidade democrática acreditamos que o Estado poderia nos proteger, sem que precisássemos pegar em armas, ilusão. Hoje, estamos de mãos para o alto sem nem ao menos podermos exercer nosso direito assegurado pela moderna constituição; o direito de legitima defesa. Como se pode exercer a defesa diante de armas cada vez mais poderosas, enquanto nossa polícia está munida de trinta e oito e até armas não letais como teasers, a violência se personifica com um arsenal capaz de derrubar helicópteros, um verdadeiro arsenal de guerra.
Por fim, para preencher essa completa injustiça penal, assistimos diariamente criminosos confessos saindo pelas portas de nossas delegacias, por estarem amparados pela lei; com o benefício de endereço fixo ou pior, por não possuírem antecedentes. É essa a resposta que a justiça nos oferece?
Meu endereço, somente ele não é suficiente para parcelar uma caneta, mas é o bastante para conceder liberdade a quem ceifou a vida de um jovem estudante (Felipe Ramos), que acreditem não estava em um racha, nem envolvido em briga, nem fugindo da polícia, estava dentro de sua faculdade (USP). O que mais poderia acrescentar? Quem perdeu a vida foi o jovem estudante e quem ganhou a liberdade foi seu agressor, por ter se apresentado espontaneamente. Quem lamenta neste momento são seus pais e não são nossas armas que estão disparando, matando, assaltando e ferindo sem nenhum remorso.
O castigo da retirada da liberdade está sendo aplicada sobre nós que estamos trancados em nossas casas, com muros altos, alarmes, grades, uma prisão domiciliar; é assim que estamos em prisão domiciliar.

Criz Cavalcante e Bragança